O Fascínio do Passado: A China Revisitada em 50 Artefactos (da Antiguidade aos Song), por Elizabetta Colla
A história da China é frequentemente apresentada como uma narrativa de coesão milenar e uma sucessão linear de datas. Graças a uma tradição precoce de escrita historiográfica, conhecemos o passado chinês com um detalhe ímpar. Contudo, descobertas arqueológicas recentes estão a desafiar as crónicas tradicionais da corte, que representavam a visão “de cima para baixo”, centrada em grandes imperadores e generais.
Estas novas evidências obrigam-nos a repensar a organização histórica. A teoria das múltiplas origens (Quxi Leixing) da civilização chinesa, por exemplo, contraria a ideia de um “Império do Meio” isolado. Apesar das barreiras geográficas, a China nunca foi um espaço fechado; o sucesso do Budismo, vindo da Ásia do Sul, exemplifica a recetividade chinesa a influências externas.
Pretende-se aqui romper com a visão tradicional do “ciclo dinástico”, deslocando o foco para os fluxos e trocas que moldaram o quotidiano ao longo dos séculos. Recorrendo a evidências visuais e objetos, revela-se como a identidade cultural da China resultou da integração de múltiplos povos e territórios. Esta análise demonstra que a religiosidade era fluida: longe da exclusividade entre Confucionismo, Taoísmo ou Budismo, o povo chinês adotava frequentemente elementos das três tradições em simultâneo. O crescimento do Budismo, entre os séculos III e IX, ilustra perfeitamente como as mudanças culturais mais profundas ignoram as fronteiras artificiais das sucessões dinásticas.
Esta é uma crónica de uma “civilização” que, longe de ser estática, soube transformar-se através do contacto e da integração, mantendo uma identidade cultural vibrante e em constante redefinição.
Nota biográfica
Elisabetta Colla – é sinóloga e historiadora de arte. Exerce funções como professora auxiliar no programa de licenciatura em Estudos Asiáticos e no mestrado em Estudos de Tradução da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. É doutoranda no programa de Arqueologia e Pré-História (Ásia-Pacífico) da mesma faculdade.
É doutorada em Estudos de Cultura (Ásia-China) pela Faculdade de Ciências Humanas da Universidade Católica Portuguesa de Lisboa. Possui ainda um mestrado em Estudos Asiáticos pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, uma pós-graduação em Estudos Chineses Modernos pelo Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa (ISCSP-ULisboa), uma licenciatura (Laurea) em Línguas e Literaturas Orientais pela Universidade Ca’ Foscari de Veneza, e um diploma em Língua e Cultura Chinesas pelo antigo Instituto de Línguas de Pequim.
É investigadora integrada do Centro de História da Universidade de Lisboa (CH-ULisboa), do Centro de Estudos de Comunicação e Cultura da Universidade Católica Portuguesa, do UNIARQ (Centro de Arqueologia da Universidade de Lisboa) e da EAAA (Associação Europeia de Arte e Arqueologia Asiática), sendo também Secretária-Geral da ACN (Asia Collections Network), Europa.
Valor: 10€
Desconto de 20% (8€) até 3 dias antes.
