Vaso
Grés, vidrado
Centro-Norte da China
Dinastia Qi do Norte, séc. VI
CA-CFC.374
Rota da Seda
Através da chamada Rota da Seda, a China manteve relações continuadas, nomeadamente comerciais com a Ásia Central e, mais a ocidente, com as regiões de cultura persa. Estas trocas seriam reforçadas pela fragmentação política do Norte da China, sobretudo após o fim no século IV da dinastia Jin, quando novas dinastias estrangeiras se viriam a instalar, como a Wei, e posteriormente a Qi. Estas dinastias favoreceram não só o comércio, mas também a introdução de novas formas, ideias e crenças, entre as quais o Budismo.
A seda era a mercadoria de luxo chinesa mais procurada, sendo o trabalho dos metais, sobretudo dos preciosos como o ouro e a prata, os mais cobiçados pelos Chineses, dada a superior qualidade e sofisticação do trabalho dos artesãos da Ásia Central e da Pérsia.
Grande Vaso de inspiração budista
Este vaso de grande dimensão, sofisticada feitura e decoração essencialmente não chinesa foi produzido neste contexto no período dos Qi do norte (550-577). O vaso apresenta uma base elevada, um ombro marcado, um colo alto e elaborada decoração inspirada nos recipientes, vasos e pratos em ouro e prata repuxada. Trabalhada em alto-relevo, com grandes pétalas de lótus, palmetas, mascarões de monstros e representações de Budas e seres celestiais, motivos da Pérsia Sassânida, do mediterrâneo oriental e do Budismo vindo da zona de Gandara.
A sua feitura exigia a aplicação de novas técnicas de modelação e cozedura. A produção de cerâmica em grés, anteriormente mais limitada, conheceu então um desenvolvimento significativo nos fornos do Norte, graças à utilização de temperaturas de cozedura mais elevadas. O vidrado apresenta, nesta peça, uma rara tonalidade entre o âmbar e o verde-azeitona.

